segunda-feira, maio 07, 2007

domingo, abril 29, 2007

Uma questão de honestidade intelectual

Uma razão minimamente sadia apercebe-se com naturalidade que tudo o que atenta contra a vida e a dignidade humana é por si mesmo um acto abominável. Além de ir contra a Lei natural, vai contra a própria Constituição Portuguesa!
É preciso, pois, compreender que o feto, desde a sua concepção, é uma pessoa humana. Não estamos perante um ser humano potencial como muitos pensam, mas perante uma pessoa cheia de potencialidades que deverão desenvolver-se com toda a naturalidade. Com efeito, o feto não é nunca uma pessoa potencial, mas é, actual e totalmente, uma pessoa humana com potencialidades ainda não actualizadas.
Através do rosto, fala o homem, fala em particular qualquer homem que sofre uma injustiça, fala e pronuncia as palavras: “Não me mates!”. O rosto e o mandamento – “Não matarás” – conjugam-se, em Levinas, de modo genial, tornando-se simultaneamente um testemunho da nossa época, e apesar disso os parlamentos, democraticamente eleitos, decretam mortes com tanta facilidade, negligenciando os contributos antropológicos, filosóficos e teológicos, que os precederam, devendo ser na sua substancialidade instrumentos do bem comum e da vida humana, como elemento constitutivo indispensável de um Estado democrático.
A vida é indivisível, não se fracciona; ela é invariável em intensidade, desde o primeiro momento até ao fim; é um todo orgânico, inseparável, um «monobloco»; é cabeça, tronco, membros, mãos, etc.
A Igreja será sempre perseverante e incansável promotora da consciência. Não se trata aqui de lutar contra quem quer que seja, bem como de fazer uma apologia. Mas antes, de uma manifestação contra um caminho que em nada dignifica e eleva o homem. Este indício, como muitos infelizmente pensam, não é e nunca será um sinal de modernidade e/ou progresso! Mas sê-lo-á sempre se promover a vida.
A legalização do aborto nunca será positiva, pois não ajuda ao desaparecimento do mesmo, mas antes a que o seu número aumente gradual e significativamente. A opinião pública generalizada considera bom aquilo que se despenaliza e cada vez se banaliza mais, nas consciências, a decisão de abortar. Na verdade, não é porque de um avião, a grande altitude e nas melhores condições atmosféricas, não se distinguem, a olho nu, nem pessoas, nem cidades, que se pode concluir que ninguém vive lá em baixo. Não é, portanto, porque se ignora uma realidade que se pode negar a sua existência.
Os partidários do aborto clamam vivamente que o acto de abortar pertence, única e exclusivamente, à mulher. Será mesmo? Será ela capaz de fazer o que bem entender do seu corpo? Não tem ela, em si, outro ser, uma outra pessoa? Até que ponto ela pode afirmar que é só do seu corpo que se trata? Que diria, pois, a mulher se um gigante de 4 metros e com, 300kg a atacasse? Entre duas forças desiguais que se batem, é a mais fraca que sucumbe; pior ainda, entre a mãe e o feto em que as proporções são desmesuradamente maiores. Quantas mulheres, depois de se terem submetido ao aborto, caem em depressão pelo remorso que as persegue! Mesmo a estes «Senhor, não lhes atribuas este pecado» (Act 7, 60).
Não faltará muito para que o tema da Eutanásia venha a ser debatido na praça pública. Será o momento derradeiro para anunciarmos novamente o valor inalienável da vida humana. Que este referendo nos mostre os erros cometidos para que num futuro próximo possamos encontrar novos métodos e meios de propagação da verdade indubitável a que todo homem pensante é chamado a defender e a promover.

sábado, abril 21, 2007

Fado do encontro

segunda-feira, abril 09, 2007

quarta-feira, março 28, 2007

quinta-feira, março 15, 2007

Quaresma


«A alma do homem deve ser pura como um espelho resplandecente. Quando um espelho está baço, nao pode o homem contemplar nele o seu rosto; do mesmo modo, quando há pecado no homem, não lhe é possível ver a Deus»
Do Livro de São Teófilo de Antioquia, bispo «A Autólico» (séc. II)

Aborto e sua legalização: Uma solução ou uma resposta?

No passado dia 11 de Fevereiro, o povo português foi chamado a pronunciar-se sobre a interrupção voluntária da gravidez por opção da mulher. Os resultados finais deram a vitória ao ‘sim’ (59,25%). No entanto, há que reter a elevadíssima abstenção no referendo. A abstenção foi de 56,39%, o que equivale a dizer que o referendo, por si mesmo, não adquire força de lei, isto é, não é vinculativo, mas um instrumento consultivo. Porém, determinadas questões são aqui levantadas: quem não votou, não votou porque pretende manter a lei como actualmente está em vigor? Ou não votou porque na verdade não concordava com a questão em debate?! Ou será que a vida humana nunca é referendável? Ou será que, pela sua abstenção nas urnas, procurou mostrar a sua rejeição plena à pergunta em questão?
Há algum tempo atrás, o Ministro da Saúde veio a público afirmar que o Estado iria suportar os custos de cada aborto que se vier a fazer legalmente em Portugal. Ora, isso significará ao Estado qualquer coisa como 1000 €. Atendendo à existência, segundo as estatísticas, de qualquer coisa como 20000 abortos clandestinos por ano, o Estado terá que desembolsar 20 milhões de €. Já pensaram o que se poderia fazer com todo este dinheiro caso fosse canalizado para outras benesses, nomeadamente em alguns tratamentos a doentes crónicos? Diversas são as questões que advêm daqui: haverá listas de espera? Terão que ficar algumas operações (talvez bem mais importantes) em segundo plano para que uma mulher possa abortar sem que com isso possa incorrer numa penalização, sabendo, com efeito, que, às 10 semanas e um dia, incorre numa pena que pode ir até a três anos de prisão? Como reagirá o contribuinte sabendo que contribuirá para o financiamento deste acto abortivo? Estará o cidadão, que avidamente defende a vida, a contribuir com os seus impostos com o intuito de eliminar uma vida indefesa? Como reagirá ele perante a sua consciência? Não terá legitimidade de invocar o “objector de consciência”?
Os “movimentos (cívicos) pela vida” talvez não tenham actuado com os meios e linguagens mais adequadas. Ao passo que os defensores do sim utilizaram meios nada convenientes. Utilizando uma política sensacionalista e emotiva, renegaram literalmente o conceito de pessoa. Não o utilizaram para que não viessem a ter problemas na difusão da sua mensagem. Ao concentrarem-se unicamente na mulher esquecem a existência de outro ente, que em si, é totalmente único e irrepetível. É preciso, pois, compreender que o feto, desde a sua concepção, é uma pessoa humana. Não estamos perante um ser humano potencial como muitos pensam, mas perante uma pessoa cheia de potencialidades que deverão desenvolver-se com toda a naturalidade. Com efeito, o feto não é nunca uma pessoa potencial, mas é, actual e totalmente, uma pessoa humana com potencialidades ainda não actualizadas.
A vida é indivisível, não se fracciona; ela é invariável em intensidade, desde o primeiro momento até ao fim; é um todo orgânico, inseparável, um «monobloco»; é cabeça, tronco, membros, mãos, etc.
O défice demográfico é outros dos problemas que a médio/longo prazo terá nevrálgicas repercussões. Este dado terá, num futuro próximo, graves e irremediáveis consequências. Com efeito, quando não há mão-de-obra não há produção de riqueza; se não há produtividade como conseguira subsistir a “máquina” fiscal do Estado? Vejamos alguns dos casos mais paradigmáticos na Europa. Países como a Alemanha, França, Suiça, Inglaterra, e outros, estão a restringir cada vez mais as práticas abortivas, aplicando, fundamentalmente, politicas natalícias. Há que perspectivar os horizontes a médio/longo prazo! Se é realmente verdade que Portugal se encontra com 20 anos de atraso relativamente aos restantes países da Europa (Centro e Norte da mesma) e se vemos esses países a retrocederem no que se refere à prática do aborto, aplicando leis que beneficiem a maternidade e o aumento demográfico, porque razão temos nós que imitar algo que eles já abominam? Não serão eles exemplo para nós nesta matéria? Porquê cair nos mesmo erros que eles, se podemos, neste ponto, caminhar em uníssono com eles? Não é porventura a família o micro-Estado ou, teologicamente falando, a Igreja-doméstica?
A legalização do aborto nunca será positiva, pois não ajuda ao desaparecimento do mesmo, mas antes a que o seu número aumente gradual e significativamente. A opinião pública generalizada considera bom aquilo que se despenaliza e cada vez se banaliza mais, nas consciências, a decisão de abortar. Na verdade, não é porque de um avião, a grande altitude e nas melhores condições atmosféricas, não se distinguem, a olho nu, nem pessoas, nem cidades, que se pode concluir que ninguém vive lá em baixo. Não é, portanto, porque se ignora uma realidade que se pode negar a sua existência.
Os partidários do aborto clamam vivamente que o acto de abortar pertence, única e exclusivamente, à mulher. Será mesmo? Será ela capaz de fazer o que bem entender do seu corpo? Não tem ela, em si, outro ser, uma outra pessoa? Até que ponto ela pode afirmar que é só do seu corpo que se trata? Que diria, pois, a mulher se um gigante de 4 metros e com, 300kg a atacasse? Entre duas forças desiguais que se batem, é a mais fraca que sucumbe; pior ainda, entre a mãe e o feto em que as proporções são desmesuradamente maiores. Quantas mulheres, depois de se terem submetido ao aborto, caem em depressão pelo remorso que as persegue! Mesmo a estas «Senhor, não lhes atribuas este pecado» (Act 7, 60).

terça-feira, março 06, 2007

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Viver a Quaresma

A quaresma entende-se como uma luta contra o próprio egoísmo e como prontidão para a fraternidade. Só assim será possível falar de uma verdadeira conversão e de uma autêntica ascese. Só assim será possível percorrer o caminho que leva à Páscoa.
Neste sentido, a quaresma vem a ser um tempo que permite à Igreja - a toda a comunidade eclesial - tomar consciência da sua condição pecadora e submeter-se a um exigente processo de conversão e de renovação. E só assim a quaresma poderá, hoje, ter sentido.

sábado, fevereiro 03, 2007

A dignidade da mulher e a ordem do amor

Caso não se recorra a essa ordem e a esse primado, será bastante difícil dar uma resposta completa e adequada à interrogação sobre a dignidade da mulher e sobre a sua vocação. Quando afirmamos que a mulher é aquela que recebe amor para, por sua vez, amar, não entendemos só, ou antes de tudo, a relação esponsal específica do matrimónio. Entendermos algo mais universal, fundado no próprio facto de ser mulher no conjunto das relações interpessoais, que na sua diversidade estruturam a convivência e a colaboração entre as pessoas, homens e mulheres. Neste contexto, amplo e diversificado, “a mulher representa um valor particular como pessoa humana e, ao mesmo tempo, como pessoa concreta, pelo facto da sua feminilidade"[1]. Isto terá a sua repercussão em todas as mulheres, referindo-se a todas as mulheres e a cada uma delas, independentemente do seu contexto cultural em que cada uma se encontra e das suas características espirituais, psíquicas e corporais, como, por exemplo, a idade, a instrução, a saúde, o trabalho, o facto de ser casada ou solteira.
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[1] PAULO II, João – Mulieris Dignitatem, Libreria Editrice Vaticana, Vaticano, 1988, nº 29.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

segunda-feira, janeiro 29, 2007

A lição da prostituta

«Nunca as mulheres tiveram tantos recursos para evitar a gravidez. Em matéria de pílulas, dispõem da clássica pílula diária, da pílula do dia seguinte, que se toma como quem chama o 115, e, agora, um cartucho delas para rilhar em dois dias e cujo efeito é o de um autoclismo com descarga no útero.
O dispositivo intra-uterino (DIU) não permite que o óvulo fecundado se fixe nas paredes do útero. O velho e aperfeiçoado preservativo, à disposição em todas as esquinas, anda na carteira com a mesma naturalidade do baton e do espelhinho. O diafragma, colocado no colo do útero, é uma boa partida ao espermatozóide. De tanto marrar, à procura do caminho que a natureza lhe ensinou, acaba por desistri e morrer. Há ainda os cremes vaginais que, além espermicidas, não permitem que o espermatozóide dê à cauda para se deslocar. O aberrante coito interrompido é desagradável, mas resulta…
Com esta e diversa artilharia apontada à gravidez, um feto que consiga escapar é um verdadeiro herói. E como herói deve ser tratado. Não é justo que alguém o expulse do útero a que já se tinha aconchegado para viver. Chega a ser cruel sair dele aos bocadinhos na ponta de uma cureta e amontoado numa cuvete como carne picada.
É de aceitar que uma rapariga, ou mulher, violada possa recorrer ao aborto. É preferível a repulsa de uns minutos à repulsa de uma vida inteira.
Também se aceita o aborto, quando uma série de ecografias afirmam grandes deformidades do feto. Deixá-lo nascer, será condenar uma criança, um adulto e um velho a uma vida de limitações físicas, perturbadoras do carácter e do comportamento psicológico.


Sempre que regresso a este assunto, me lembro da Fifas, uma prostituta muito popular no meu tempo de Coimbra. Oferecia-se no nº 13 do Terreiro de Erva. A certa altura, apareceu grávida. Pelos inconvenientes que uma gravidez trazia à sua profissão, julgou-se que a Fifas iria abortar. De cara um pouco torcida, levou a gravidez até ao fim.
Na maternidade foi partejada pelo Prof. Ibárico Nogueira, assistido pelos quintanistas de seu turno. Eu era um desses quintanistas.
Mas quando foi preciso dar umas palmadas no recém-nascido para o reanimar, a Fifas mudou de expressão e de voz para nos pedir com maior ternura:
- Não batam no meu menino…»
[1].


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[1] Camilo de Araújo Correia (Médico), In, Diário do Minho.

sábado, janeiro 27, 2007

A sociedade censura a morte

Para os homens ‘modernos’, a morte deverá ser a grande ausente e não encontrará espaço no horizonte do pensamento humano: é proibido (ou, na melhor das hipóteses, permitido somente ao homem arcaico) tomar consciência da morte em termos pessoais; somente através da morte-espectáculo, diariamente apresentada pelos media, é que será possível uma eventual tomada de consciência da realidade da morte, embora ela permanece como morte dos “outros”, estranhos, distantes de nós tanto geográfica quanto afectivamente[1].

A vivência da morte na cultura de hoje:
As sociedades do ocidente europeu passaram por um processo de uniformização das suas formas de considerar a morte. A morte, rodeada dum ambiente de mistério, com referência religiosa imediata, sofreu um diluimento social significativo. A atenção social para com a morte desviou-se do registo do «tremendum» e deslocou-se para um espaço de «invisibilidade social»[2].
Resta nos ambientes rurais, a qual persiste em usar a morte para exprimir a radicalidade de certos sentimentos. A solidariedade ocasionada noutros tempos por ocasião da morte, tem hoje a brevidade de um cumprimento formal; a memória do defunto avivada por calendário ritual, recolheu-se ao íntimo dos familiares e amigos.


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[1] Em relação a este assunto o Papa João Paulo II na Evangelium Vitae, nº 64, diz-nos: «Num tal contexto, torna-se cada vez mais forte a tentação da eutanásia, isto é, de apoderar-se da morte, provocando-a antes do tempo e, deste modo, pondo fim «docemente» à vida própria ou alheia. Na realidade, aquilo que poderia parecer lógico e humano, quando visto em profundidade, apresenta-se absurdo e desumano. Estamos aqui perante um dos sintomas mais alarmantes da «cultura de morte» que avança sobretudo nas sociedades do bem-estar, caracterizadas por uma mentalidade eficientista que faz aparecer demasiadamente gravoso e insuportável o número crescente das pessoas idosas e debilitadas. Com muita frequência, estas acabam por ser isoladas da família e da sociedade, organizada quase exclusivamente sobre a base de critérios de eficiência produtiva, segundo os quais uma vida irremediavelmente incapaz não tem mais qualquer valor».
[2] CUNHA, Jorge Teixeira da – Bioética Breve, Ed. Paulus, Apelação, 2002, p. 102.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Será ou não a eutanásia uma forma de homicídio consentido?

A eutanásia é sempre matar outra pessoa, com ou sem consentimento, por motivos de compaixão ou para lhes evitar dores ou situações dramáticas. No Código Penal Português a eutanásia activa (uma vez que a eutanásia por omissão não é geralmente punida) constitui o crime de homicídio privilegiado punível com a pena de 1 a 5 anos de prisão[1].
Sendo assim, não é legítima a decisão de uma pessoa dispor da sua própria vida? Nós respondemos não. Na conservação da vida humana existem por vezes interesses individuais e sociais. Nenhum ser humano é uma realidade isolada, fonte autónoma e exclusiva de direitos e obrigações. Todos somos solidários pela mútua interacção entre pais e filhos, entre cada um e o resto da sociedade. Por isso, ninguém tem o direito de eliminar uma vida, mesmo a própria. Assim o entendeu a tradição jurídica ocidental, que negou toda a validez ao consentimento prestado para causar a morte, considerando o direito à vida como indisponível, ou seja, como um «direito-dever»[2].

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[1] Código Penal, art. 133.º.
[2] Como escreve M. Maia Gonçalves, «a vida humana é um bem indisponível mesmo para o ofendido; é justamente o bem jurídico de maior valoração» (Código Penal Português, 5º Edição, p. 343)

Para reflectir profundamente

IST(-BD): fim ou re-começo?


Uma leitura mais atenta dos acontecimentos, obras e palavras, que recentemente se vem intensificando sobre o fim do Instituto Superior de Teologia (IST), leva-nos a enunciar pré-conceitos e pseudo-verdades sobre o seu fim real. Haverá ainda janelas abertas que possam deixar entrar uma nova lufada de ar puro, um novo renascimento que possibilite o seu revivescer?
Recentemente tem-se questionado se os seminários, estando ou não alienados da formação intelectual (o mesmo é dizer: do ensino universitário) dos seus seminaristas, têm posto em causa a quebra de um dos quatro pilares da formação integral do crescimento humano. Em causa está a dimensão espiritual.

Por outro lado, no que concerne à comunhão questiona-se sobre a existência ou não desta na nossa pequena comunidade que por si é tão diversificada culturalmente. Neste sentido, é impossível falarmos de comunhão no verdadeiro e pleno sentido. Há, de facto, comunhão e comunidade de modo parcial. Aliás, há o partilhar de certos e determinados actos ditos comunitários.
Será que a criação de um seminário inter-diocesano poderá responder plenamente às exigências pastorais, intelectuais, espirituais e humanas, que as dioceses a ele inserido tanto esperam? Parece-me que estamos a caminhar de olhos vendados. Não há uma luz, não há uma referência! A nossa única referencia é Jesus Cristo. É a partir d’Ele que tudo deve ser realizado e para onde tudo se encaminhará. Já Paulo no diz na sua Epístola a Timóteo
[1].
Será preferível caminhar num “caminho de cabras” ou numa auto-estrada? Embora cada um deles conduzam a um objectivo comum, devemos sempre optar pelo segundo. Não só pela rapidez a que se chega ao objectivo, como possibilita ao caminhante novas visões, novos horizontes, novas perspectivas. Resta saber se um seminário inter-diocesano conseguirá responder às exigências formativas agora exigidas. Aliás, não unicamente para este tempo, mas com perspectivas futuras. Pois, uma formação que se dirige unicamente para este presente será posteriormente um passado. Portanto, toda a formação deve verter para o futuro, de modo a que este futuro se torne posteriormente presente.
Penso seriamente que este será o primeiro grande passo, o pano de fundo, para uma reforma que todos nós ansiamos. A vida celular do seminarista deve ser sempre Cristo. Por outras palavras: a célula vital e vivificante daqueles que o Senhor chamou é sempre o Amor do Chamante. É sempre Ele o início e o fim que todo o chamado por Ele, ou seja, o vocacionado anseia ardentemente.

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[1] «1É digna de fé esta palavra: se alguém aspira ao episcopado, deseja um excelente ofício. 2Mas é necessário que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, ponderado, de bons costumes, hospitaleiro, capaz de ensinar; 3que não seja dado ao vinho, nem violento, mas condescendente, pacífico, desinteressado; 4que governe bem a própria casa, mantendo os filhos submissos, com toda a dignidade. 5Pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará ele da igreja de Deus? 6Que não seja neófito, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação do diabo. 7Mas é necessário também que ele goze de boa reputação entre os de fora, para não cair no descrédito e nas ciladas do diabo».

domingo, janeiro 21, 2007

EUTANÁSIA:
Pertinência ou des-pertinência?
Embora não seja hodiernamente um tema que esteja muito em voga, creio que, dentro em breve, será uma temática de grande discussão na sociedade portuguesa. A questão do “aborto” está a ser como que a porta para a revitalização desta problemática. Uma pseudo-vitória do “sim” no referendo em questão terá nefrálgicas consequências. Será como que o início de um choque em “cadeia” ou choque “dominó”. O ludibriar das débeis consciências do povo português terá repercussões altamente prejudiciais para as gerações vindouras. É que com isto diversas realidades serão marginalizados da sua verdadeira essência (como por exemplo: a família; o ser pai; o ser mãe; enfim… um inumerável de outras realidades afins). Os países nórdicos (como a Alemanha, ou a Inglaterra, ou a Suiça, ou a Suécia, etc.), sofredores deste maligno, procuram meios que possibilitem, de algum modo, contrariar os efeitos negativos das práticas transactas.
A eutanásia, denominada como morte suave, não é uma realidade nova ao pensamento humana. Já há muito que a eugenia se vem proliferando numa cultura que se diz evolucionista, mas que, no entanto, não é mais do que uma simples «cultura da morte», tal como nos afirma o falecido Papa João Paulo II. A proliferação da extrema-direita deve-se em grande parte à grande adesão, embora muitas vezes inconsciente por parte dos seus receptores, de praticismo (isto é, ao por em prática) da eugenia.
Por outro lado, a difusão de uma pseudo-aceitação da prática da eutanásia assume contornos predominantemente casuísticos. E neste aspecto os mass media tem contribuído e de que maneira para esta alienação da consciente dos seus receptores. Denota-se claramente uma disjunção da consciencialização do imperativo da vida humana.
Com efeito, a vida, mais que um dever, é um direito de todo e qualquer ser ôntico, seja ele rico ou pobre, de “cor” ou não, novo ou velho. Antes de qualquer direito, seja ele canónico ou até civil, está o direito natural. O direito natural é o sustentáculo de ambos e de qualquer que seja o direito. Pois, um direito que negligencie o seu substrato perde a finalidade para que é criado. O direito é feito para servir dignamente o homem. Portanto, não é o homem que está ao serviço da lei, mas o contrário.Nesse sentido, é um dever de todo e qualquer cristão chamar à consciência do outro para o imperativo da vida humana e da sua dignidade. Uma vida acariciada desde o princípio gerativo e criador de Deus Uno-Trino. Não de um Algo, mas um Alguém.

sábado, janeiro 13, 2007

Brevemente neste Blog uma reflexao séria e profunda dum tema que dentro em breve surgirá na nossa sociedade: EUTANÁSIA.
Ficai vigilantes...