Caso não se recorra a essa ordem e a esse primado, será bastante difícil dar uma resposta completa e adequada à interrogação sobre a dignidade da mulher e sobre a sua vocação. Quando afirmamos que a mulher é aquela que recebe amor para, por sua vez, amar, não entendemos só, ou antes de tudo, a relação esponsal específica do matrimónio. Entendermos algo mais universal, fundado no próprio facto de ser mulher no conjunto das relações interpessoais, que na sua diversida

de estruturam a convivência e a colaboração entre as pessoas, homens e mulheres. Neste contexto, amplo e diversificado, “a mulher representa um valor particular como pessoa humana e, ao mesmo tempo, como pessoa concreta, pelo facto da sua feminilidade"
[1]. Isto terá a sua repercussão em todas as mulheres, referindo-se a todas as mulheres e a cada uma delas, independentemente do seu contexto cultural em que cada uma se encontra e das suas características espirituais, psíquicas e corporais, como, por exemplo, a idade, a instrução, a saúde, o trabalho, o facto de ser casada ou solteira.
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[1] PAULO II, João – Mulieris Dignitatem, Libreria Editrice Vaticana, Vaticano, 1988, nº 29.