domingo, abril 29, 2007

Uma questão de honestidade intelectual

Uma razão minimamente sadia apercebe-se com naturalidade que tudo o que atenta contra a vida e a dignidade humana é por si mesmo um acto abominável. Além de ir contra a Lei natural, vai contra a própria Constituição Portuguesa!
É preciso, pois, compreender que o feto, desde a sua concepção, é uma pessoa humana. Não estamos perante um ser humano potencial como muitos pensam, mas perante uma pessoa cheia de potencialidades que deverão desenvolver-se com toda a naturalidade. Com efeito, o feto não é nunca uma pessoa potencial, mas é, actual e totalmente, uma pessoa humana com potencialidades ainda não actualizadas.
Através do rosto, fala o homem, fala em particular qualquer homem que sofre uma injustiça, fala e pronuncia as palavras: “Não me mates!”. O rosto e o mandamento – “Não matarás” – conjugam-se, em Levinas, de modo genial, tornando-se simultaneamente um testemunho da nossa época, e apesar disso os parlamentos, democraticamente eleitos, decretam mortes com tanta facilidade, negligenciando os contributos antropológicos, filosóficos e teológicos, que os precederam, devendo ser na sua substancialidade instrumentos do bem comum e da vida humana, como elemento constitutivo indispensável de um Estado democrático.
A vida é indivisível, não se fracciona; ela é invariável em intensidade, desde o primeiro momento até ao fim; é um todo orgânico, inseparável, um «monobloco»; é cabeça, tronco, membros, mãos, etc.
A Igreja será sempre perseverante e incansável promotora da consciência. Não se trata aqui de lutar contra quem quer que seja, bem como de fazer uma apologia. Mas antes, de uma manifestação contra um caminho que em nada dignifica e eleva o homem. Este indício, como muitos infelizmente pensam, não é e nunca será um sinal de modernidade e/ou progresso! Mas sê-lo-á sempre se promover a vida.
A legalização do aborto nunca será positiva, pois não ajuda ao desaparecimento do mesmo, mas antes a que o seu número aumente gradual e significativamente. A opinião pública generalizada considera bom aquilo que se despenaliza e cada vez se banaliza mais, nas consciências, a decisão de abortar. Na verdade, não é porque de um avião, a grande altitude e nas melhores condições atmosféricas, não se distinguem, a olho nu, nem pessoas, nem cidades, que se pode concluir que ninguém vive lá em baixo. Não é, portanto, porque se ignora uma realidade que se pode negar a sua existência.
Os partidários do aborto clamam vivamente que o acto de abortar pertence, única e exclusivamente, à mulher. Será mesmo? Será ela capaz de fazer o que bem entender do seu corpo? Não tem ela, em si, outro ser, uma outra pessoa? Até que ponto ela pode afirmar que é só do seu corpo que se trata? Que diria, pois, a mulher se um gigante de 4 metros e com, 300kg a atacasse? Entre duas forças desiguais que se batem, é a mais fraca que sucumbe; pior ainda, entre a mãe e o feto em que as proporções são desmesuradamente maiores. Quantas mulheres, depois de se terem submetido ao aborto, caem em depressão pelo remorso que as persegue! Mesmo a estes «Senhor, não lhes atribuas este pecado» (Act 7, 60).
Não faltará muito para que o tema da Eutanásia venha a ser debatido na praça pública. Será o momento derradeiro para anunciarmos novamente o valor inalienável da vida humana. Que este referendo nos mostre os erros cometidos para que num futuro próximo possamos encontrar novos métodos e meios de propagação da verdade indubitável a que todo homem pensante é chamado a defender e a promover.

sábado, abril 21, 2007